quinta-feira, 20 de setembro de 2012

(2012/685) Fragmentos facebookianos (DOIS)

I.

Minhas generalizações "agridem" pessoas sensíveis. Criticam-me, porque ponho todos no mesmo saco, por assim dizer. Todavia, a crítica que me fazem é, ao mesmo tempo, uma generalização que meus críticos fazem, de modo que o pau com que dão em mim cai-lhes na cabeça...

O que generalizo - os homens e as mulheres? Não. Mas generalizo, tem sido o caso, os "religiosos". Digo que todos são iguais, potencialmente perigosos - e, nisso, sou criticado como generalizador, apesar de dizer-se que, em linhas gerais, concordam comigo...

Quando digo que toda religião é potencialmente perigosa, refiro-me ao estatuto epistemológico de TODAS elas: são heterônomos e dogmáticas, "platônicas", reveladas... O fiel é sempre fiel a alguém, que se diz representante dos deuses.

A maioria delas, diz amar porque os deuses mandam. Acham isso lindo. Eu não acho. É perigoso fazer qualquer coisa, mesmo boa, porque os deuses mandam, porque quem faz as coisas porque os deuses mandam, é capaz de fazer qualquer coisa que os deuses mandam.

E tanto é assim, que, nos púlpitos, louva-se Abraão pela sua "fé", a ponto de matar o próprio filho... PELAMORDEDEUS! Que mensagem é essa que se dá? Se lucidez?, sanidade? Não - loucura.

E vou ficar desarmado diante de um religioso, cara de santo, só porque ele diz que Deus é amor? Não - ele também diz que Deus mandou matar o filho e o fiel ia matar...

Não é por outra razão que matamos história afora...

Generalizo o estatuto epistemológico da religião sim. Porque não há exceção. Nenhuma. Todas são potencialmente perigosas.

Acho mais que a defesa intransigente da religião, sem a afirmação clara de que toda ela é potencialmente perigosa para todos e para qualquer um é que revela uma recusa de transparência.

II.

Não chegaria ao discurso de Voltaire, próximo-maçônico, de que se deve ensinar o povo a crer num Deus que castiga crimes, a despeito de se saber que as doutrinas são, todas, umas deformidades intelectuais.

Concordo com a segunda parte, integralmente, mas não concordo com a primeiro.

Penso que deveríamos buscar uma religiosidade lúcida, branda, enfraquecida, tênue, "quenósica" (esvaziada), e extrairmos o melhor dessa atitude humana - religião não é outra coisa além de atitude humana, trabalhada socialmente.

Não me verão escrever contra isso, salvo se alguém disser que essa é a "verdadeira" religião ou verdadeira forma de crer em Deus - verdadeiro coisa nenhuma: é criação cultural, reflexão sobre que forma de religiosidade poderia servir para uma sociedade tolerante, plural, fraterna.

O cristianismo, definitivamente, não serve para uma sociedade plural aberta. Nem o islamismo. Nem o judaísmo. Nenhum dos três. Se eles podem sobreviver numa sociedade aberta? Podem, desde que não sejam poder: se são, caçam todas as demais fés.

Bem, o melhor que inventamos até agora foi o Estado laico com liberdade de religião. Deu seu jeito: mas as religiões fortes não aprenderam nada.

Abra o jornal e descubra por si mesmo...


III.

Não acredito que orar por horas, dias, semanas, surta algum efeito. Podem discordar - não tem problema.

Quando estou por demais aflito, dou-me o direito de pedir a Deus mil e oitenta vezes - mas sempre sou ciente de minha loucura, mesmo nesse momento, em que, ciente de estar louco, dou-me o direito da loucura.

Mas que não faz sentido orar, orar, orar, orar, orar - não faz, não.

Se meu filho me pedir uma coisa mais do que duas vezes, tem algo errado - ou com ele, ou comigo.

Mas faça como achar melhor... Não faz a menor diferença...




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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